"uma longa jornada começa com um único passo" lao tsé
Meu nome é Thiago Nunes, também conhecido como Moch. Sou sócio-fundador da Webinterativa, uma agência digital com foco em soluções web.
Decidi criar esse post por ter presenciado vários projetos web que passam uma eternidade sendo desenvolvidos antes de serem lançados no ar (em produção). E olhe que nem sempre eles saem do chão. As vezes o projeto é abandonado no meio do caminho. Abandonar projeto é crime, e o culpado merece a morte punição.
É preciso ter foco. É preciso começar aos poucos. A maioria dos projetos de sucesso começam aos poucos e são aprimorados com o tempo, sobretudo acompanhando a necessidade real do usuário (quem, de fato, usa o sistema).
Para defender melhor essa ideia, listo abaixo alguns argumentos e dicas:
1) Você não sabe a reação dos usuários
Projeto web tem muito disso, você não sabe exatamente como o usuário vai se comportar. Pode até ter uma noção através de estudo/pesquisa/teste/macumba/tarô/sejaláoquefor. Mas lembre-se que você está lidando com pessoas, e as pessoas – pacêro – são complicadas.
O uso do sistema pelos usuários vai te ajudar a modelar o site de acordo com as necessidades deles. Você tem o mote do projeto, a ideia inovadora, o diferencial competitivo, ok. No entanto, após o lançamento, amigo, quem dita as regras são os usuários. Portanto, avalie as críticas com sabedoria. Projeto web de sucesso é aquele que o usuário participa na construção (com ideias).
2) Seu projeto pode ficar ultrapassado
Não digo só em questões de funcionalidades não… Se você demorar muito para lançar o seu projeto, ele pode ficar tecnologicamente atrasado. E aí você vai ter que refazê-lo bem antes do que se imaginava, afinal, você não vai querer lançar seu projeto com uma tecnologia ultrapassada.
E outra… se você não correr, outra pessoa vem e pimba, lança uma ideia parecida na sua frente. Já ouviu falar que quando você pensa em alguma ideia, essa sua ideia já se espalhou pelo ar? É quase isso.
3) Motivação da equipe de desenvolvimento
A equipe sabe – principalmente se for uma equipe com os valores ágeis de desenvolvimento – que muita ideia implementada sem o uso real do sistema é perda de tempo. Se você insistir nisso, a equipe vai se desmotivar e fazer as coisas sem vontade, nas coxas, com gambis (gambiarra).
Por outro lado, se você lança o projeto e começa a receber o feedback dos usuários, você consegue motivar a equipe de uma forma impressionante. Todo desenvolvedor gosta de ver resultado no que faz.
4) Systems change
Aprenda, sistemas mudam. Não adianta você tentar adivinhar tudo que o seu projeto precisa ter logo de início. Coloque apenas o que você tem certeza e saiba que as mudanças são normais.
Quando você passa muito tempo implementando um projeto “nas cegas”, sem uso real do sistema, acontece algo interessante, veja: 45% das funcionalidades do teu projeto NUNCA são usadas; 19% raramente são usadas; 16% algumas vezes; 13% frequentemente e 7% das funcionalidades sempre são usadas. Ou seja, pelo menos 64% do desenvolvimento foi em vão.
O Princípio de Pareto também se aplica ao desenvolvimento de software, onde 20% das funcionalidades costumam gerar 80% ou mais do benefício esperado. Pense nisso.
5) Seu bolso não vai pesar
Se o projeto é lançado o quanto antes, você – empreendedor – tem a possibilidade de perceber mais claramente se ele está dando certo… Você não precisa pagar (digamos, 64% de funcionalidades que não serão utilizadas) para saber se o projeto tem futuro.
Já vi o caso de uma empresa manter 2 pessoas desenvolvendo um projeto (que nem ao ar) por um ano, tendo um custo mensal enorme. É como eu mesmo digo: treta.
Foco!
Pense como esse negócio de foco é dificil. As vezes o projeto nem saiu do chão e você já está pensando em desenvolver outro. Pare. Foque no seu projeto inicial. Pelo menos até ele ser lançado e você conseguir visualizar o retorno, tanto do público quanto do financeiro. Se você sentir que pode ligar o piloto automático OU desistir do projeto, sinta-se à vontade para começar outro negócio, bola pra frente.
Simplicidade
“Simplicidade é a sofisticação máxima” Leonardo da Vinci. Pense nos produtos da Apple, pense no sistema de buscas do Google, todos eles são aparentemente simples e proporcionam uma enorme experiência positiva ao usuário. Esta é a função do design. Um ótimo design agrega simplicidade, arte, acessibilidade, usabilidade e experiência para o usuário.
Teste constantemente
A primeira impressão é a que fica. Você não vai querer decepcionar o usuário em sua primeira visita. Cada melhoria no sistema pode afetar uma área improvável do site. Portanto, teste tudo. Peça para seus amigos e familiares testarem. Clique nos lugares mais absurdos. Pense como um usuário leigo, sabe aquele usuário que nem consegue ligar o computador direito? Pronto.
Lance uma versão beta
Informe aos usuários que o sistema está em uma versão beta. A versão beta demonstra aos usuários que o projeto ainda está em desenvolvimento e poderá ocorrer pequenas falhas. Porém, o projeto já está pronto o suficiente para o uso.
Utilize algum tipo de métrica
As métricas vão ajudar você a entender melhor o comportamento dos usuários. Você saberá coisas do tipo: quantos usuários acessam seu site e em qual hórario; de onde eles chegam; quanto tempo eles passam em determinada página; qual a resolução e navegador ele usa, enfim, centenas de coisas. Eu indico o Google Analytics como uma ferramenta simples e fácil de usar.
Crie um canal de sugestões
Deixe claro que você precisa da partipação dos seus usuários para melhorar o sistema, seja humilde, as pessoas gostam desse negócio de web 2.0, elas gostam de fazer parte de um grupo.
Bem, acho que é isso.
Abs!
este artigo promete mostrar uma extraordinária visão sobre a construção de marcas. uma visão bastante ampla, que propõe descobrir o significado mais profundo de uma marca e como usá-lo ao seu favor. portanto, abra sua mente. pois aqui existe psicologia, mitologia, marketing, branding, filosofia, motivação, emoção e grandes ideias. é uma pena, mas essas ideias não são minhas, furtei-as do estudo feito pela Margaret Mark e Carol S. Pearson, autoras do excelente livro O Herói e o Fora-da-Lei.
afinal, o que é arquétipo? arquétipo é a primeira ideia de alguma coisa, o princípio de algo. qual o arquétipo de uma cadeira, por exemplo? ah, uma cadeira precisa de um assento, pés e um encosto. existem milhares de cadeiras no mundo, nos mais variados estilos, mas o arquétipo dela é apenas um. qual o arquétipo das novelas? tem sempre a mocinha que tenta ficar com o mocinho, mas são impedidos pelo vilão. o vilão ferra todo mundo durante a novela e no final morre ou é preso. tem, também, alguém que é discriminado por algum problema social ou físico, mas no final – assim como a mocinha e o mocinho – se casa e é feliz para sempre… e por aí vai. existe um padrão arquetípico. o que muda são os personagens e alguns detalhes.
nada é perfeito. não somos perfeitos. se as histórias e os mitos fossem perfeitos, não nos identificaríamos com eles. qual a graça se o super-homem fosse perfeito e resistente a kriptonita? a kriptonita faz ele ficar parecido com nós. nós temos fraquezas. todo herói tem sua fraqueza, seu calcanhar de aquiles. as vezes são rejeitados. mas, no final das contas, eles superam tudo e largam tudo para proteger a comunidade. eles lutam, são corajosos e se sacrificam para o bem comum. eles deixam a sua marca no mundo. esse é, pois, um típico arquétipo do herói.
nós amamos histórias e precisamos delas. nós somos motivados pelas histórias. e elas também nos enchem de anseios. anseio de explorar o mundo, arriscar algo, de amar, vencer na vida, ajudar o próximo, de exercer o controle, se transformar, etc. foi baseado nas histórias e nos mitos que o psicanalista Carl G. Jung dissertou seus estudos sobre o inconsciente coletivo. um inconsciente profundo que nos motiva a fazer coisas. assim como o herói nos motiva a sermos corajosos e honestos, o explorador nos motiva a pôr o pé na estrada e se mandar… seja pra onde for. e que tal uma marca, de certa forma, saciar um pouco esses nossos anseios?
a teoria motivacional humana é focada nos quatro principais impulsos humanos. ela está posicionada ao longo de dois eixos: Pertença/Grupo vs Independência/Auto-realização e Estabilidade/Controle vs Mestria/Risco. na primeira ponta – Pertença/Grupo – sentimos uma profunda necessidade em pertencer a um grupo. seja na universidade, seja indo ao bar com os amigos, seja uma sociedade anônima dos bebedores de cana. enfim. e até nos moldamos para pertencer. diferente, por exemplo, da Independência/Auto-realização. aqui, nós não nos moldamos. aqui, é do nosso jeito. queremos ficar só, refletir, decidir, e conhecer o nosso Eu.
agora imagine a seguinte situação: você está bebaço, já nas últimas… o sol já raiou, acabaram as bebidas… o que você quer agora? um teto pra, literalmente, apagar. é aí que o nosso impulso – Estabilidade/Controle – se ativa. mesmo antes de beber, queremos ter várias coisas estáveis: segurança, casa, comida, emprego, etc. ou… quando bate aquela vontade de ser empreendedor, abrir uma empresa, comandar uma equipe, queremos, na verdade, ter um certo poder nas mãos.
na ponta da – Mestria/Risco – lutamos pelos nossos sonhos. temos coragem para aceitar desafios. queremos fazer algo notável e ser lembrado para sempre. no entanto, para nos sentirmos completos, buscamos a todo instante o equilíbrio. o equilíbrio de estar no centro desses eixos, mas isso é quase impossível, estamos sempre pendendo para um lado. pois os nossos desejos mudam a cada momento.
descrevo abaixo, para cada impulso humano, os três arquétipos e seus principais lemas:
Independência/Auto-realização
- Inocente, “Somos livres para ser você e eu”
- Explorador, “Não levante cercas à minha volta”
- Sábio, “A verdade libertará você”
Pertença/Grupo
- Cara-comum, “Todos os homens e mulheres são criados iguais”
- Amante, “Só tenho olhos para você”
- Bobo da Corte, “Se eu não puder dançar, não quero tomar parte da sua Revolução”
Mestria/Risco
- Herói, “Onde há vontade, há um caminho”
- Fora-da-lei, “As regras foram feitas para serem quebradas”
- Mago, “Pode acontecer!”
Estabilidade/Controle
- Governante, “O poder não é tudo… é só o que importa”
- Prestativo, “Ama teu próximo como a ti mesmo”
- Criador, “Se puder ser imaginado, poderá ser criado”
existem marcas, grandes marcas, que incorporam e moldam toda a sua comunicação baseada em um único arquétipo. se você pegar a coca-cola, por exemplo. vai perceber que ela propaga um mundo melhor. um mundo feliz. “viva o lado coca-cola(feliz) da vida.”, “Viva o que é bom”, e agora, recentemente, “Abra a felicidade”. pura inocência. o inocente quer um mundo melhor, mas não faz nada para tê-lo. ele apenas o espera. as pessoas saciam, de certa forma, esse desejo bebendo coca-cola. a coca-cola vende felicidade, e não um refrigerante de cola. esses comerciais retratam bem a inocente coca-cola:confira aqui e aqui.
a pepsi, por outro lado, nos diverte utilizando o arquétipo do Bobo da Corte. sim, por que se a pepsi fosse inocente, seria muito difícil aumentar o seu market share já conquistado pela coca. sua comunicação tem que ser diferenciada, já que o produto nem é tanto. confira aqui, aqui e aquialguns filmes dos limõezinhos da pepsi e um dos m&ms. o Bobo da Corte é o malandro, o animador, o palhaço, o tolo e o comediante.
não existe comercial melhor que defina uma marca do explorador, “não levante cervas à minha volta”, como este aqui. a levi’s, nesse filme, nos impulsiona a ir ao encontro da natureza, explorar o mundo. e é isso que o explorador, no seu nível mais alto, procura. o jipe Wrangler, com seu slogan, “leve seu corpo aonde sua mente já passeou”, é fantástico para quem quer pôr o pé na estrada e conhecer novas trilhas. produtos ou serviços que servem de acessórios para a “jornada exploratória” das pessoas se encaixam perfeitamente nesse arquétipo: automóveis, roupas, bolsas, barracas, cafés… sim, cafés, por que não? afinal você precisa dar uma paradinha no meio da estrada. não é mesmo? a Starbucks é uma marca forte dos exploradores. lá, o café é do seu jeito.
a nike, por exemplo, é uma marca do Herói. ela nos motiva quando somos impulsionados pela Mestria/Risco. não é a toa que ela patrocina vários times competitivos. nós compramos nike para vencer competições. e ela nos motiva a não desistir nunca. “Just Do It (Apenas Faça)”. use nike e vença, ponto final. marcas de esportes, geralmente, caem bem nesse arquétipo. confira o filme.
e a harley-davidson? onde você acha que se encaixa? sem dúvida no fora-da-lei. quem sobe em uma harley-davidson não ta nem aí para as regras. eles querem mesmo é quebrá-las. o executivo da empresa, disse certa vez: “o que vendemos é a oportunidade de um contador de 43 anos se vestir de couro preto, sair de moto por aí e ver as pessoas com medo dele”. é exatamente isso. vê esse filme.
enfim, isso aqui já tá ficando mega-gigante. então… pra encerrar: entendendo bem este estudo, é possível dar um significado profundo e uma vitalidade rara à marca. apesar de ser um estudo novo, ele já está sendo aplicado por grandes marcas. seja um dos arquétipos que eu citei, ou outro. existem milhares de arquétipos. observe a história da sua marca, os valores básicos dela e dos sócios. como foi que ela começou? o que as pessoas pensam sobre a marca? busque a alma da sua marca e incorpore um arquétipo. as pessoas cada vez mais vão se identificar com a marca e perceber, subjetivamente, o seu significado mais profundo. e aí, meu amigo, não terá concorrente que te segure.
Na especulada economia do sec xxi, onde os bits são a bola da vez, dar coisas grátis – ou 99,8% grátis – torna-se algo cada vez mais comum. surge um novo paradigma de mercado, uma oportunidade disfarçada. e quem enxerga-la primeiro, sai na frente.
No mundo real, as idéias de grátis mais comuns são, muitas vezes, maquiadas para dar impressão de um bom negócio. compre 2 e leve 3, amostra grátis, compre um produto e ganhe um brinde. etc. puro marketing, os valores já estão inclusos nos produtos.
Algumas empresas off-line inovam e, de fato, dão coisas grátis. os clientes da SampleLab, em tóquio, ganham até 5 ítens grátis a cada visita. velas, cartuchos de tinta, creme, jogos de vídeo-games, etc. tem de tudo, e tudo gira em torno de U$50. como isso é possível? a maior parte da receita provém do aluguel dos espaços na prateleira da loja e do feedback dos clientes. interessante, não?
O fato é que de uma forma ou de outra, no mundo real, há um custo envolvido na produção e manutenção na qual precisam ser pagas. seja através de outro produto, seja através de um fornecedor, seja alguém que pague por você, etc.
Aqui, mundo digital, o “grátis” se transforma em cada vez mais grátis. quando pegamos um livro, um vídeo, uma foto, ou qualquer informação que seja, e transformamos em bits, o custo de reprodução cai vertiginosamente. assim como a lei de moore afirma que o processamento dos computadores dobram – sem aumentar o custo – a cada dois anos, o preço da a largura de banda e o armazenamento caem tal rápido quanto. ou seja, isso faz com que o custo doyoutube para postar um vídeo caia pela metade em 1 ano. isso faz com que, cada vez menos, o flickr gaste por uma foto postada lá.
Ora, se meu preço de reprodução cai toda hora, a tendência é ser zero. pensando nisso, eu posso distribuir informação gratuita pra deus e o mundo. aqui, dinheiro não é importante, e sim, reputação e atenção dos usuários. foi não pensando nisso que muitas empresas foram a falência em 2001, na bolha da internet.
A maioria dos produtos do google, se não forem todos, são totalmente de graça pra ganhar atenção e reputação dos usuários. com isso ele – através dos links patrocinados – utiliza um estilo diferenciado para ganhar dinheiro e ser uma empresa bilionária.
O flickr, o rapidshare (vários shares), o eu vou passar, o financial times e vários outros serviços na internet desenvolveram a idéia do freemium pra ganhar dinheiro. eles disponibilizam serviços grátis pra maioria dos usuários. mas se você quiser uma coisinha a mais, você paga por isso. é a ideia que 5% dos usuários sustentam todo o resto.
Enfim, “a informação quer ser livre” disse Chris Anderson. No mundo dos bits você não cobra por informação, seria injusto. Notoriamente vemos isso. Então pense, inove e desenvolva uma maneira de aproveitar essa oportunidade.
Ps: as idéias deste post foram, meramente, furtadas de Chris Anderson, autor do livro Free: grátis – O Futuro dos Preços e A Cauda Longa.